A American Airlines ajudou no desenvolvimento de seus próprios aviões (AA)

A American Airlines ajudou no desenvolvimento de seus próprios aviões (AA)

Na manhã do dia 15 de abril de 1926, o lendário aviador Charles A. Liondbergh decolou de Chicago com um biplano AH-4 e voou até St. Louis, no Estados Unidos. Esse foi o primeiro voo comercial da Robertson Aircraft Corporation, que hoje atende pelo nome American Airlines.

A empresa, atualmente a maior do mundo em quantidade de aeronaves e movimentação de passageiros, chega aos 90 anos com uma importante contribuição no transporte aéreo mundial e participação no desenvolvimento da aviação comercial, iniciado na década de 1920.

Nessa época, o grande negócio na aviação era o transporte de malas postais, ficando os passageiros em segundo plano. A grande mudança na aviação comercial começou justamente com a American Airlines: a empresa uniu forças com a Douglas Aircraft e ajudou no desenvolvimento do clássico DC-3. A companhia foi o cliente-lançador do modelo, em 1936. No ano seguinte a AA já haviam transportado mais de um milhão de passageiros.

A companhia utilizou o nome Robertson Aircraft Corporation até 1930, quando se uniu a outras 82 pequenas empresas aéreas dos EUA e formou a “American Airways”. O nome atual foi criado em 1934, quando a empresa foi adquirida pelo empresário Erret Lobban Cord e renomeada como “American Air Lines”, e pouco depois adotou o padrão de escrita atual.

O primeiro voo da American Airlines foi comandado pelo lendário aviador Charles A. Lindbergh (AA)

O primeiro voo da American Airlines foi comandado pelo lendário aviador Charles A. Lindbergh (AA)

Empurrão na indústria

Além do DC-3, a American Airlines ainda teve participação ativa nos projetos do DC-4, DC-6 e DC-7. Essas aeronaves foram as primeiras dos EUA com cabines pressurizadas e capazes de realizar voos sem escalas sobre o Oceano Atlântico. Já o primeiro jato da empresa foi o Boeing 707, introduzido em 1959. Nas décadas seguintes a American também seria um dos primeiros clientes de outros aviões famosos, como os Boeing 747 e 727, o turbo-hélice Electra e até o Fokker 100 – os jatos que voavam com a Avianca Brasil foram comprados de estoques da AA.

A American Airlines foi o cliente lançador do DC-3 (AA)

A American Airlines foi o cliente lançador do DC-3 (AA)

Low-cost dos anos 1950

O final da Segunda Guerra Mundial deixou uma quantidade imensurável de aviões de carga desocupados. Muitos deles foram comprados por companhias aéreas e convertidos para transportar passageiros. A American também aproveitou esse momento e com os aviões modificados criou o que se pode dizer de primeiras cabines de classe econômica, com assentos e serviços mais simples, numa época que se voava apenas de primeira classe.

A companhia americana também foi uma das primeiras a oferecer planos de descontos para famílias que viajavam juntas. O “Family Fare Plan”, de 1948, oferecia pacotes com taxas mais baixas comparadas às do bilhete individual. Com os anos, a American Airlines ainda ficou famosa pelo estilo dos uniformes de seus comissários, inclusive com modelos que hoje seriam considerados extravagantes.

Turbulências e fusão

Apesar da história gloriosa, nesses 90 anos a American Airlines também já enfrentou crises, algumas muito duras. A partir de 2001, após o ataque terrorista as Torres Gemeas, em Nova Iork, em que duas aeronaves da empresa estiveram envolvidas, o mercado da aviação iniciou uma forte queda, também causada pelo aumento no preço dos combustíveis.

A situação economica da empresa ficou ainda mais fragilizada após a crise economica de 2008, que começou nos EUA e afetou severamente outros mercados, como a Europa e Ásia. Em 2011, a American Airlines entrou com pedido de recuperação judicial e passou por um completo processo de reestruturação.

Lembra da US Airways? Os aviões da empresa agora são da American Airlines (Divulgação)

Lembra da US Airways? Os aviões da empresa agora são da American Airlines (Divulgação)

Neste ano, a AA estima fechar o ano no “verde”, após um longo período de turbulência. Parte desse novo fôlego da companhia veio de sua fusão com a US Airways, outra antiga empresa aérea dos EUA. A negociação foi iniciada em 2013 e concluída no final de 2015. No processo, a US Airways foi extinta e seus aviões ganharam as cores da American Airlines.

Quase 1.000 aviões

Nenhuma outra companhia aérea possui uma frota de aeronaves tão grande quanto a da American Airlines. Segundo registro mais recente publicado pela empresa neste ano, são 949 aeronaves no inventário, que voam para 344 destinos em todos os continentes.

Aviões da AA “pipocam” em aeroportos dos EUA. Quem embarca nos voos domésticos da empresa pode voar em aeronaves da família Airbus A320 ou Boeing 737, ou até os E-Jets da Embraer. Outra aeronave ainda muito utilizada pela American Airlines é o MD-80.

Em rotas para o exterior, a empresa voa com os jatos Airbus A330 e os Boeing 767, 777 e 787. Em 2015, a American Airlines transportou 201 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais. É o equivalente a toda população do Brasil transportada de avião em apenas um ano.

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