O bimotor da Viking Air é um dos aviões mais exóticos da Labace 2015. A aeronave pode pousar em pistas improvisadas (Foto - Ricardo Meier)

O bimotor da Viking Air é um dos aviões mais exóticos da Labace 2015. A aeronave pode pousar em pistas improvisadas (Foto – Ricardo Meier)

Em meio a alguns dos jatos executivos mais modernos do mundo, a Labace 2015 também abre seu espaço para empresas que oferecem as chamadas “aeronaves utilitárias”. São aviões que podem operar com o mínimo de estrutura e são capazes de pousar até mesmo em pistas de terra. É um produto comum em forças armadas, que apreciam sua versatilidade, e também indicado para empresários do campo, que podem usá-los em pequenos aeródromos de fazendas.

Bem diferentes de aviões do passado, os novos aviões utilitários são tão modernos quanto jatos, equipados com alguns dos motores turbo-hélices mais modernos da atualidade e equipamentos de voo digital. São também uma porta de entrada para o mundo da aviação executiva, uma vez que essas aeronaves têm preços “módicos”. O Cessna Gran Caravan, o modelo mais famoso desse segmento, por exemplo, custa R$ 2,2 milhões.

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A famosa aeronave da Cessna é oferecida na Labace pela Tam Aviação Executiva, a divisão de venda de aeronaves privadas e voos fretados da companhia Tam. Também conhecido como C-208, o Gran Caravan EX, como a versão exposta da Labace, tem um novo motor turbo-hélice de 867 hp e menor consumo. O monomotor pode voar a 343 km/h e tem um alcance aproximado de 1.700 km. A cabine pode ser configurada para levar até 13 passageiros.

A Tam também tem em sua linha o Cessna TT, um avião de pequeno porte com motor a pistão e uma cabine digna de jato, com uma série de comandos digitais e sistema de climatização. O TT leva até quatro passageiros e voa rápido para um aparelho de seu tamanho: atinge até 435 km/h e tem autonomia de 2.315 km. A aeronave exposta na Labace custa US$ 799 mil.

O Kodiak 100 é muito utilizado em regiões remotas e também muito comum em campos de paraquedismo (Foto - Ricardo Meier)

O Kodiak 100 é muito utilizado em regiões remotas e também muito comum em campos de paraquedismo (Foto – Ricardo Meier)

O principal concorrente do Caravan também está na Labace, o Kodiak 100 da Quest Aircraft. A aeronave é um monomotor turbo-hélice e pode ser equipada com um bagageiro semelhante ao do Cessna. A sua capacidade de passageiros, porém, é inferior: leva até nove passageiros. O motor do Kodiak gera 750 cv e o aparelho pode atingir a velocidade máxima de 339 km/h e alcance de até 3.700 km (números obtidos com a aeronave com pouca carga).

Além de ter quase as mesmas capacidade de operação do Cessna Gran Caravan EX, o Kodiak 100 ainda é mais barato: o modelo anunciado na Labace é oferecido por US$ 1,7 milhão.

O Cessna Caravan é um dos aviões mais vendidos do mundo. A versão exposta na Labace custa US$ 2,2 milhões (Foto - Cessna)

O Cessna Caravan é um dos aviões mais vendidos do mundo. A versão exposta na Labace custa US$ 2,2 milhões. Há também versões anfíbias, com flutuadores (Foto – Cessna)

O rei da lama

Uma das aeronaves mais curiosas presentes na Labace é o bimotor da norte-americano Viking Air, o “DHC-6 Twin Otter Series 400”, uma evolução de um antigo projeto da empresa canadense De Havilland. O aparelho é homologado para ser pilotado por um ou dois pilotos e pode transportar até 19 passageiros.

O interior da aeronave é rústico na versão multimissão, como a unidade a mostra na Labace 2015, mas pode ser configurado com artigos de luxo, com direito até a um sofá na traseira da cabine. Apesar do ambiente digno de aventuras aéreas, o DHC-6 do século XXI possui alguns dos mais avançados equipamentos de voo e navegação.

O Viking Air DHC-6 de última geração pode levar até 19 passageiros (Foto - Viking Air)

O Viking Air DHC-6 de última geração pode levar até 19 passageiros (Foto – Viking Air)

A aeronave é impulsionada por motores turbo-hélice Pratt & Whitney de 1.940 hp, segundo o fabricante. O modelo, apesar do porte relativamente grande, é leve: pesa 3.221 kg.

Utilitário suíço

O avião utilitário mais “chique” do mercado e na feira em Congonhas é o Pilatus PC-12, fabricado na Suíça. O modelo monomotor tem um desenho altamente aerodinâmico e um potente motor Pratt & Whitney de 1.200 hp. Bem mais rápido que seus concorrentes mais “parrudos”, a aeronave suíça voa a mais de 500 km/h e tem alcance de 2.880 km.

O interior pode ser configurado de diferentes formas, de forma a levar mais carga ou passageiros. A configuração mais comum no PC-12 é a executiva com até nove assentos. Há também uma versão especial de carga, a “Combi”, uma opção de alto luxo, com seis assentos, e de evacuação médica, a série “Medevac”, que pode deslocar até duas pessoas.

O PC-12 tem a cabine a maior cabine de seu segmento; a aeronave custa até US$ 4,6 milhões (Foto - Ricardo Meier)

O PC-12 tem a cabine a maior cabine de seu segmento; a aeronave custa até US$ 4,6 milhões (Foto – Ricardo Meier)

No Brasil, a aeronave da Pilatus Aircraft é representada pela Synerjet, e seu preço na versão com pacote executivo mais avançado pode bater nos US$ 4,6 milhões.

Tradição nas pistas e na terra

A Piper Aircraft também trouxe seus utilitários para o evento em São Paulo. Estão na mostra os aparelhos Meridian M350 e M500, dois monotores a hélice de última geração. O primeiro, avaliado em US$ 1,155 milhão, comporta quatro passageiros e um dos aviões mais utilizados por empresas de táxi aéreo nos rincões dos EUA, assim como seu irmão maior, o M500, que pode levar mais dois ocupantes – o modelo com maior capacidade custa US$ 2.200 milhões.

As aeronaves da Piper são as mais populares nesse segmento (Foto - Ricardo Meier)

As aeronaves da Piper são as mais populares nesse segmento (Foto – Ricardo Meier)

Outro avião com uma longa carreira entre os utilitários é o Beechcraft King Air 250, que já tem 42 anos. A aeronave com dois turbo-hélices de 850 hp cada um que podem levar a aeronave a velocidade máxima de 545 km/h em viagens de até 3.338 km. No Brasil, os aviões da Beechcraft são oferecidos pela Líder Aviação, a mesma empresa que representa o HondaJet. O modelo custa cerca de US$ 5,2 milhões na configuração executiva.

O King Air pode pousar em pistas de terra, mas com preparos especiais (Foto - Ricardo Meier)

O King Air pode pousar em pistas de terra, mas com preparos especiais (Foto – Ricardo Meier)

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