O A330-200 da Avianca após o pouso em Bogotá

O A330-200 da Avianca após o pouso em Bogotá (Fotos – Sergio Quintanilha)

Já faz algum tempo que a Colômbia deixou de ser um país dominado pelos crimes de Pablo Escobar e pelo terrorismo das Farc. Hoje o país de 47 milhões de habitantes é um dos destinos de turismo mais interessantes da América do Sul. Por isso, vale a pena viajar para lá. Foi o que eu fiz, a bordo dos Airbus A330 da Avianca. Mas também poderia ter escolhido Bogotá como conexão para um destino do Caribe, da América Central ou até da Costa Leste dos Estados Unidos.

A Avianca faz parte da Star Alliance e pude computar as milhas voadas no meu cartão Miles & More, da Lufthansa, uma das companhias aéreas parceiras. Foram 670 milhas em cada trecho, sem contar os voos internos. Em 2016, a Avianca tem transportado cerca de 20.000 passageiros por mês na rota São Paulo -Bogotá.

São dois vôos diários ligando as duas cidades, ambos diretos e operados com A330-200. Os de Guarulhos (GRU) partem às 2h24 da madrugada e 9h30 da manhã, chegando às 5h48 e 12h34, respectivamente. Os de El Dorado (BOG) saem às 15h00 e 22h04, chegando à 0h15 e às 7h15 da manhã. Quando viajei, não estávamos no horário de verão, portanto meu voo de ida sairia às 8h30 e o de retorno chegaria às 6h15.

Comprei as passagens pela ABT Operadora, de Londrina (PR). Viajei acompanhado de minha esposa. Ela me alertou que o embarque da Avianca seria pelo Terminal 2 de Guarulhos, mas do alto da minha teimosia deixei o carro estacionado no T3, confiando que se tratava de um voo internacional. Estava errado e tivemos de caminhar bastante até o T2.

O check-in em Guarulhos foi rápido e eficiente. Solicitei um upgrade para a executiva porque queria conhecer as duas cabines do avião e consegui, mas não havia assentos juntos. Na hora de embarcar, porém, o pessoal de terra conseguir nos acomodar juntos, nos assentos 5D/5E (última fileira da executiva, no meio).

Voo de ida

As boas-vindas do voo AV86 foram feitas com suco de laranja e água. Também recebi um exemplar do jornal Folha de S.Paulo e um nécessaire, com escova de dentes, lenço, tapa-ouvido, tapa-olho e creme L’Occitane, entre outros itens. A configuração do A330 type 243 da Avianca é 2-2-2 na executiva (cinco fileiras) e 2-4-2 na econômica. A poltrona tem vários ajustes. O comandante não era “o”, mas “a”, o que já diz bastante sobre a modernidade da Avianca.

A comandante ligou os dois motores Rolls-Royce Trent 772B-60 às 8h25. Doze minutos depois, explicou que havia muito tráfego aéreo em Guarulhos e, por isso, a decolagem iria atrasar. Finalmente, às 8h46 ela autorizou o push-back do belo A330-243 de matrícula N280AV, pintado nas cores da Star Alliance. Esse avião fez seu primeiro voo em março de 2013 e tem o número de série 1400. O Airbus alinhou na cabeceira 09L às 09h08. Dois minutos depois, decolava com céu nublado, na proa de Jacareí.

Subiu com determinação a 5.000 pés e fez uma curva acentuada à direita, a 389 km/h. Sobrevoou a grande metrópole paulista já sem grande restrição de velocidade (652 km/h) e subindo a 12.000 pés, fazendo então uma leve curva à direita para pegar a proa de Sorocaba. Quando atingiu 20.000 pés, inclinou-se levemente à direita, a 746 km/h. Fez alguns leves ajustes de rota, ainda monitorado pelos radares da Terminal São Paulo, e subiu a 26.000 pés, quando já voava a 830 km/h e tomou uma linha reta em direção a Bogotá.

O café da manhã foi servido às 9h50 e veio em boa hora, pois as lanchonetes do T2 de Guarulhos são simplesmente ridículas. Minha esposa é celíaca (não pode comer gluten) e teve de ficar em jejum até servirem a refeição especial previamente solicitada. Às 10h10 o café foi recolhido e aproveitei o conforto da ampla poltrona da executiva para assistir o filme “Pelé – O Nascimento de Uma Lenda”. Havia um vento de proa de 170 km/h e o voo era suave, com uma camada de nuvens logo abaixo de nossa altitude de cruzeiro (nível 380). A velocidade era de 804 km/h.

Só quando chegamos à Amazônia o N280AV pegou uma turbulência moderada. E o voo transcorreu assim até cruzarmos a Linha do Equador, quando o sacolejo diminuiu. Bogotá fica dentro da Cordilheira de Los Pichachos, cujas montanhas praticamente formam uma parede entre toda a região amazônica e a parte central da Colômbia. Um lanche muito bom foi servido faltando 50 minutos para o pouso e pedi um vinho tinto para acompanhar minha tapioca com legumes, pois estávamos voando há cinco horas e já era meio-dia no horário local (e 14h00 no Brasil). Pouco antes de entrarmos na região montanhosa, sobrevoando San Martín, uma cidadezinha ao pé da cordilheira, começamos a descer, com vento de cauda de 75 km/h. O avião fez uma leve curva à esquerda e tomou a proa de Ibaque.

Com a velocidade reduzida para 739 km/h, fez uma curva para a direita em Girardot, desceu para 15.000 pés, fez outra curva para a direita a 576 km/h e foi “driblando” as montanhas. A 11.000 pés, na velocidade de 406 km/h, o A330 inclinou-se à direita para tomar a rampa final, margeando a rodovia 50. Vale lembrar que Bogotá fica numa altitude de 2.600 metros acima do nível do mar (portanto, a 8.600 pés). Havia muitas nuvens durante a descida e, principalmente, na aproximação. Por isso, apesar do fraco vento de proa (28 km/h), o avião balançou bastante antes do pouso.

Depois de 4.600 km, o Airbus cruzou a cabeceira 13R a 268 km/h e tocou a pista do El Dorado Internacional às 12h49 locais. O taxi até a área de embarque foi rápido. Às 12h56, os motores já estavam desligados. Em Bogotá, fizemos uma conexão para Cartagena de Índias e pude viajar pela primeira vez no Boeing 787  Dreamliner, pois a Avianca já tem sete em sua frota, mas isso é assunto para outra postagem.

Voo de retorno

Depois de um demorado processo alfandegário no aeroporto El Dorado – que tem um rigorosíssimo controle antidrogas –, finalmente embarcamos no Airbus A330 rumo a São Paulo. O voo AV85 partiria às 22h04 e as portas da aeronave foram fechadas às 21h55.

Dessa vez, viajaríamos na classe econômica. Tive o bom senso de reservar os assentos 7A/7C, a primeira fileira da grande cabine, que tem um espaço muito maior do que o restante. Deu tranquilamente para esticar as pernas (tenho 1,82 metro, mas até alguém de 2 metros caberia ali). Claro que não se compara ao conforto da executiva, mas a escolha da primeira fileira tornou a viagem menos cansativa. Fiquei feliz ao constatar que, mesmo na classe econômica, os assentos são confortáveis e cheios de entretenimento.

A comissária-chefe disse que o tempo previsto de voo seria de 5h15min. Claro: dessa vez pegaríamos vento de cauda. Às 22h07, com apenas três minutos de atraso, o comandante autorizou o push-back do A330-243 matrícula N968AV, que tem o número de série 1009 e voou pela primeira vez em abril de 2009. Esse avião é pintado nas tradicionais cores vermelha e branca da Avianca. Mas a pista principal do El Dorado ficava longe e levamos 13 minutos taxiando. Às 22h20 o avião alinhou na cabeceira 13R e já iniciou a corrida.

Não gosto de comandantes que fazem isso, pois tenho a sensação de que uma última paradinha, uma concentração final antes da decolagem, é como caldo de galinha – não faz mal a ninguém. Decolamos a 372 km/h com tempo bom em direção ao famoso Estádio El Campín.

Dos 8.600 pés de Bogotá aos 10.000 pés da primeira e acentuada curva à direita poucos segundos se passaram. A 11.000 pés, já voando a 500 km/h, o avião fez uma leve e longa curva à direita a subiu ao nível 130, quando sobrevoou o Rio Bogotá e a rodovia 21. Então, uma nova curva de 90 graus, dessa vez à esquerda, nos colocou na primeira etapa da subida, que durou até os 26.000 pés. Saindo da cordilheira a 833 km/h, o Airbus inclinou-se à esquerda, aprumou e subiu à altitude de 34.000 pés, rumo à Rodovia 40. Finalmente lá, fez uma curva de 90 graus à direita e tomou o rumo do Brasil, voando no nível 370 a 885 km/h.

O jantar foi servido às 23h00, quando o A330 da Avianca já entrava em território brasileiro, pelo noroeste do Amazonas. Havia opção de carne e massa. Optei pelo segundo e me arrependi, pois era um prato muito pequeno e totalmente sem gosto, abaixo do padrão de todo o serviço de bordo da Avianca. Para acompanhar, meio copo de vinho tinto servido em copo de plástico, saladinha, pão, manteiga e um bombom de chocolate como sobremesa. Como na ida, minha mulher foi servida com uma refeição sem glúten, conforme havíamos solicitado para a ABT Operadora. Meu jantar terminou rápido, quando sobrevoávamos o Rio Amazonas.

Considerando o tempo de voo, o serviço de bordo foi extremamente lento. Eu queria dormir, mas às 23h50 ainda não havia sido recolhido o jantar que consumi em uns cinco minutos. Depois disso, pegamos um longo trecho de turbulência até o norte de Mato Grosso, com vento de cauda de 136 km/h. O vento traseiro aumentou para 178 km/h e a velocidade da aeronave chegou a 957 km/h.

Consegui dormir algumas horas, com bom espaço para as pernas e com um voo suave. Às 4h50 as luzes da cabine foram acesas. Logo depois de sobrevoar Uberaba, em Minas Gerais, estávamos entrando no estado de São Paulo na altitude de 39.000 pés e faltavam poucos minutos para o pouso. Voando na proa de São José dos Campos, o A330 desceu ao nível 240, quando fez uma curva à direita e tomou o rumo da Serra da Cantareira, a 781 km/h. Continuou descendo suavemente no céu totalmente sem nuvens e fez três curvas à direita, entre 6.000 e 4.900 pés, reduzindo de 428 para 310 km/h até pegar a rampa final.

O belo avião da Avianca cruzou a cabeceira 09R de Guarulhos na gelada madrugada paulista a 278 km/h. O pouso aconteceu às 5h28. Dez minutos depois, os potentes motores RR estavam desligados. Lembrei que estávamos no Terminal 2 e que havia deixado o carro no estacionamento do T3. Minha mulher – que é agente de turismo na Agaxtur – não me cobrou pela falha, mas sugeriu que eu deveria confiar em suas informações, pois também conhece o mundo da aviação. Fazia um frio “polar”, mas meu coração estava quente por voltar para casa e pelos ótimos voos que realizamos com a Avianca.

O A330-200 com as cores tradicionais da Avianca no T2 de GRU após a viagem

O A330-200 com as cores tradicionais da Avianca no T2 de GRU após a viagem

Conclusão

Com funcionários simpáticos e prestativos, tripulação eficiente, aeronaves novas e bons horários, a Avianca me deixou boa impressão nas rotas de ida e volta entre São Paulo e Bogotá. O mesmo aconteceu nos voos internos. Muitas pessoas viajam para a América Central e Caribe em companhias que operam com Boeing 737. Mas, na minha opinião, o Airbus A330 é um avião muito mais adequado para um voo que dura cerca de seis horas. Os dois corredores da aeronave tiram a sensação de claustrofobia. Gostei muito da classe executiva, apesar de ela não estar no nível das melhores empresas de voos intercontinentais – nem há necessidade. Quanto à econômica, é boa em termos de entretenimento, conforto dos assentos e espaço para as pernas, mas a qualidade da comida precisa melhorar.

Sergio Quintanilha, colaborador do Airway, é redator chefe da revista Motor Show, da Editora Três, e, entre outros projetos, lançou no Brasil a revista Avião Revue, que surgiu originalmente na Alemanha.

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