HondaJet: estreia da Honda na aviação tem motores em posição incomum

HondaJet: estreia da Honda na aviação tem motores em posição incomum

Depois de conquistar um público fiel nos segmentos de motos e automóveis (além de outros setores menos conhecidos), a Honda decidiu olhar para cima literalmente. A fabricante japonesa, após um longo período de maturação, lançou seu primeiro avião, o HondaJet, um jatinho executivo para até cinco passageiros e que fez seu debut no Brasil nesta semana na feira Labace, em São Paulo.

Para apresentar o modelo ao público brasileiro, a Honda trouxe Michimasa Fujino, presidente da divisão de aviação e uma espécie de ‘Steve Jobs’ da aviação. O executivo japonês não só lidera todo o projeto como também idealizou o conceito que norteia a aeronave.

Tamanha responsabilidade se justifica pelo fato de Fujino ter ‘peitado’ a física: o principal diferencial do HondaJet é colocar os motores sobre as asas, o que era considerado até então a pior posição possível para eles por causa dos problemas aerodinâmicos que trazia.

Fascinado por aviação e por muitos anos à frente da área de desenvolvimento de veículos da Honda nos Estados Unidos, Fujino provou após vários estudos que a configuração de motores sobre as asas (patenteada pela Honda com a sigla OTWEM ou Over-The-Wing Engine Mount) poderia aprimorar a aerodinâmica de um avião, permitindo velocidades maiores e mais economia de combustível.

O engenheiro bancou a ideia dentro da Honda e conseguiu fundos para desenvolver o projeto de um pequeno jato executivo, que levou quase duas décadas para virar realidade.

Mais veloz, econômico e espaçoso que a concorrência

O HondaJet revela um lado ambicioso raramente visto na Honda. O jatinho não só inova no desenho diferente dos rivais – que usam motores instalados na parte traseira da fuselagem – como também adotou asas com projeto avançado, um glass cockpit (painel de instrumentos todo digital), materiais compostos para reduzir o peso e até um motor inédito, desenvolvido pela própria Honda em parceria com a General Electric.

A mudança dos suportes dos motores do corpo do avião para as asas também permitiu que a cabine de passageiros do jato fosse alongada para mais de 5 metros, sensivelmente maior que a concorrência.

O modelo também voa mais alto (43 mil pés contra 41 mil pés) e é mais veloz que seus concorrentes diretos com um custo inferior, garante a Honda.

HondaJet na Labace 2015

HondaJet na Labace 2015

A fabricante obteve uma certificação provisória do FAA, órgão americano que regula a aviação civil no país e que é uma espécie de referência mundial nesse sentido. A homologação definitiva é aguardada para o final do ano. Com ela, a Honda iniciará a entrega das primeiras aeronaves – 20 dos cerca de 100 jatos encomendados já estão prontos na fábrica da empresa no estado da Carolina do Norte.

No Brasil, a Honda promete entregar as primeiras unidades em 2017, por meio de uma parceria com grupo Líder, que a representa oficialmente. O preço da aeronave é de US$ 4,5 milhões, em linha com rivais como o Cessna Mustang e o brasileiro Phenom 100, da Embraer. A fabricante, inclusive, anunciou na abertura da Labace já ter clientes no Brasil, embora não tenha revelado detalhes.

Imagem conta

Mas, afinal, mesmo para uma marca conhecida mundialmente, estrear num segmento dominado por empresas tradicionais não seria algo arriscado? Airway perguntou ao presidente da Honda Aircraft se a boa imagem da montadora poderia ser útil na aviação: “Sem dúvida, ajudará. A reputação da Honda em qualidade, desempenho e confiança que temos com nossos clientes de automóveis e motos, certamente pode fazer diferença nessa estréia”, afirmou Fujino.

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