O primeiro Boeing da Gol com internet estreou na rota São Paulo - Brasília (Thiago Vinholes)

O primeiro Boeing da Gol com internet estreou na rota São Paulo – Brasília (Thiago Vinholes)

O primeiro Boeing 737 da Gol com antena de internet via satélite, enfim, está conectado! A companhia lançou o serviço nesta terça-feira (4), na rota entre São Paulo (Congonhas) e Brasília (DF), com o jato prefixo “PT-GUK”. O Airway pegou carona nos voos da companhia de ida e volta até a capital federal para testar a conexão nos céus do Brasil.

A primeira aeronave da empresa equipada com o sistema foi modificada em julho deste ano em Miami, nos Estados Unidos, e a homologação da ANAC para operar o sistema em voos comerciais foi emitida no dia 23 de outubro, como revelou Paulo Sérgio Kakinoff, presidente da Gol.

“O serviço será oferecido gratuitamente durante seis meses, período que vamos ‘estressar’ o sistema para ele ganhar robustez”, contou Kakinoff.

Passada a fase de testes e demonstração do novo serviço com os passageiros em voo, a conexão passará a ser cobrada, prática comum em companhias do exterior que também têm essa tecnologia em seus aviões. Aproveitando o wi-fi na cabine, a Gol também vai oferecer um sistema de entretenimento para ser acessado por smartphones, tablets e notebooks. “Essa parte não vai depender da internet para funcionar. É uma rede interna do avião”, explicou Kakinoff.

“O preço da internet nos voos da Gol deve ficar na faixa de 5 a 20 dólares (R$ 16 a R$ 65), como é média cobrada no mundo todo. Ainda estamos definindo como serão os pacotes. É possível criar um pacote, por exemplo, somente para acessar o Whatsapp, ou então opções mais completas”, antecipou o presidente da Gol.

O sistema pede uma confirmação do passageiros antes de conectar

O sistema pede uma confirmação do passageiros antes de conectar; a antena é fornecida pela Gogo

Preparar, apontar, conectar!

O 737 PT GUK chegou todo bonitão em Congonhas, de pintura nova e a curiosa antena de internet, instalada na parte superior da fuselagem, parecido com uma “corcunda”. O interior da aeronave também já trazia os avisos de que aquele era o primeiro voo da companhia com conexão a bordo, o que se mostrou um erro quando o sistema foi acionado.

Ansiosos, quem percebeu a novidade já ficou com o smartphone “engatilhado”, buscando o tal do wi-fi gratuito. Assim que o sistema foi acionado, cerca de 10 minutos após a decolagem em Congonhas, a rede ficou congestionada em poucos minutos.

Como relatou Kakinoff, que explicou à imprensa e aos passageiros todos os procedimentos de como conectar seus gadgets a rede da Gol, o sistema detectou 147 usuários conectados nos primeiros 20 minutos de operação, baixando cerca de 750 MB em dados.

Com tantos passageiros conectados, a conexão ficou lenta e instável. Aplicativos como os do Facebook e Whatsapp custaram para se manterem on-lines, e não foi possível postar uma foto no Instagram. Youtube também não funcionou, assim como o Spotify. Já os e-mails chegaram.

Não foi possível conectar o laptop no voo de ida; o sistema ainda não tem textos em português (Thiago Vinholes)

Não foi possível conectar o laptop no voo de ida; o sistema ainda não tem textos em português (Thiago Vinholes)

Mas, segundo o presidente da Gol, essa lentidão e instabilidade têm uma explicação: “Grandes companhias do exterior que oferecem esse serviço, como a Delta nos EUA, têm em média cerca de 40 pessoas conectadas em voos com aeronaves médias, ou chegando a ser utilizado por até um terço dos passageiros a bordo. Com esse volume, o sistema não fica sobrecarregado. Na Gol, trabalhamos com essa mesma expectativa”, explicou.

Retorno com força total

Continuando nosso “bate-e-volta” em Brasília, o pessoal da Gol, de uma forma muito rápida e perspicaz, retirou do interior da aeronave todos os sinais mais evidentes de que aquele era o primeiro Boeing da companhia com internet. O combinado era que os passageiros seriam avisados mais adiante, para a imprensa poder testar o sistema em sua plenitude.

A antena de internet parece uma "corcunda" na fuselagem do Boeing 737 (Thiago Vinholes)

A antena de internet parece uma “corcunda” na fuselagem do Boeing 737 (Thiago Vinholes)

Piscadelas e joinhas de assessores distribuídos pela cabine, acionamos nossos smartphones com a banda operando com folga. Realmente foi outra experiência, com todos os aplicativos funcionando normalmente – Pokemon Go ainda não funciona em aviões. A força total da conexão durou cerca de 15 minutos, até a tripulação avisar aos demais passageiros sobre a internet e o sistema mais uma vez ficou lento, mas desta vez estável.

A internet durante o voo é uma ótima distração, além de permitir continuar trabalhando ou em contato com amigos em solo, ou quem sabe até, mais adiante, em outros aviões “conectados”. O voo de volta para São Paulo teve até turbulência, mas pouca gente percebeu, tamanha era a atenção nas telinhas.

O sistema da Gol, a exemplo da oferecida por companhias estrangeiras, tem algumas limitações. Serviços de streaming de filmes, como o Netflix ou Popcorn Time, são barrados na internet da Gol, assim como o envio de áudios e vídeos pelo Whatsapp e o Skype. “Barramos as mensagens de voz para não incomodar outros passageiros”, revelou Kakinoff.

Passageiros foram surpreendidos com a presença e discurso do presidente da Gol a bordo do PT-GUK (Thiago Vinholes)

Passageiros foram surpreendidos com um discurso do presidente da Gol a bordo do PT-GUK (Thiago Vinholes)

Durante os próximos seis meses a Gol também vai ampliar a forma de atuação do sistema. Até o final de outubro, a internet será oferecida “gate-to-gate”, ou seja, desde a sala de embarque até a saída da aeronave em seu destino. A empresa também vai aproveitar esse tempo para encontrar os “pontos escuros” nas rotas, locais que podem cortar momentaneamente o sinal via satélite.

O segundo avião da Gol com internet, já modificado no Brasil, entra em ação na próxima quinta-feira (6). “Até o final de 2018, 100% da frota e todos os voos da Gol terão internet”, garantiu o presidente da companhia.

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