O único avião da Pan Am II: nome famoso foi relançado três vezes após falência em 1991 (Aero Ícarus)

Talvez não exista um setor na economia que mais elimine marcas do que o transporte aéreo. Companhias aéreas surgem e desaparecem ao sabor dos ventos e mesmo nomes consagrados e com longa história perecem sem causar nenhuma comoção.

A lista de companhias aéreas famosas do passado é imensa: reúne as americanas Pan Am, TWA, Eastern e as brasileiras Varig, Vasp e Transbrasil, por exemplo. Mas existem poucos casos de renascimentos e mais raros ainda, os que sobrevivem a essa ‘reencarnação’. Confira alguns deles:

Eastern Air Lines

Uma das maiores companhias aéreas americanas, a Eastern voltou a exibir suas cores em dois tons de azul em 2011 em alguns aeroportos do mundo. Mas nada que se compare ao seu passado glorioso quando tinha uma frota de jatos com mais de 200 aeronaves. Baseada em Miami, a nova companhia só opera voos charter com destino a Cuba e Caribe além de realizar voos fretados para celebridades.

Foi um avião dela que levou o caixão do pugilista Muhammad Ali ao local do seu sepultamento no ano passado. E um dos seus quatro 737 NG esteve nas últimas semanas no Brasil trazendo o cantor Justin Bieber para sua turnê na região.

Swiss

O episódio do surgimento da Swiss é curioso. Para alguns ela é a mesma Swissair que começou a voar para o Brasil desde a década de 40, mas é um engano. Trata-se de outra companhia aérea, nascida de um braço da falida Swissair em 2002, a companhia regional Crossair.

Como reaproveitou parte do logotipo da antecessora (mas retirando o sufixo ‘air’), a Swiss passou a percepção de continuidade no serviço. Desde 2005, ela faz parte do grupo Lufthansa e é um raro caso de marca que sobreviveu após a falência, talvez pela rápida solução dada ao espólio da Swissair.

A nova Eastern Air Lines: com voos fretados, empresa esteve no Brasil com Justin Bieber (Adam Moreira)

Peoplexpress

Nascida como uma low-cost no início dos anos 80, a americana Peoplexpress operou até 1987 quando foi incorporada pela Continental Airlines (hoje parte da United). Apesar da proposta ‘popular’, a Peoplexpress chegou a operar alguns 747 em voos internacionais.

Uma iniciativa sem relação com os proprietários originais surgiu em 2014 no estado da Virginia, mas durou apenas três meses. Com dois Boeing 737-400, a nova Peoplexpress pretendia voar para destinos na Costa Leste americana, mas suspendeu os serviços pouco depois.

Braniff

Famosa companhia fundada no final dos anos 20 e que voou para o Brasil, inclusive, a Braniff desapareceu em 1982, vítima da desregulamentação da aviação americana. Os aviões pintados com cores chamativas da companhia deram lugar a uma segunda tentativa pouco depois, em 1984, capitaneada pelo grupo de hotéis Hyatt e com aviões 737, 727 e até o então novo A320, mas a empresa fechou em 1989.

Um ano depois, um empresário texano comprou os direitos do nome ‘Braniff’ e lançou a empresa novamente no mercado, porém, com aviões antigos alugados (727-200 e DC-9) – a empreitada durou apenas um ano.

Pan Am

Companhia aérea mais famosa do passado, a Pan American World Airways era uma marca ‘eterna’ – até nas espaçonaves do filme clássico ‘2001 Uma Odisséia no Espaço’ a empresa ‘aparecia no futuro’. Mas a realidade foi mais dura com a companhia fundada em 1927 por Juan Trippe e que revolucionou o transporte aéreo por décadas.

Em 1991, o que parecia impossível aconteceu: a Pan Am faliu, superada por suas conterrâneas mais eficientes. Não demorou para que surgisse um interessado em resgatá-la, na esperança de reviver seu passado glorioso. Em 1995, um grupo de investidores comprou os direitos da marca e a relançou no ano seguinte com operação a partir da Florida com apenas um Airbus A300. A tentativa fracassou em 1998, mas foi seguida por outra ‘encarnação’.

Um grupo de empresários ligados ao transporte ferroviário assumiu a marca e a recolocou no mercado com uma frota de sete Boeing 727-200. A modesta operação perdurou até 2007 quando tudo parecia indicar que a Pan Am havia se tornado um nome do passado. Puro engano.

Em 2015 a Pan Am renasceu pela terceira vez, mas agora como uma operadora de voos VIP com um pequena frota de aviões executivos.

Boeing 737-800 da ‘Nova Varig’: Gol tentou aproveitar imagem da antiga companhia sem sucesso (Aeroprints)

Varig

De certa forma, houve um caso de renascimento no Brasil. A complicada falência da Varig deu origem a uma nova empresa, a VRG Linhas Aéreas, em 2006 (também chamada de ‘Nova Varig’). Com um frota que nem fazia sombra aos bons tempos da companhia, a Varig foi assumida pela Gol em 2007, que manteve alguns 737 pintados com a logomarca da empresa por vários anos, sem que isso tenha se refletido em aumento de passageiros.

Como se vê, a experiência de ressuscitar companhias aéreas do passado é uma tarefa ingrata. Talvez seja melhor deixá-los repousar no além.

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