A estação espacial chinesa será composta por um módulo central e dois laboratórios (Bisbos)

A estação espacial chinesa será composta por um módulo central e dois laboratórios (Bisbos.com)

Nem Estados Unidos, nem Rússia. O próximo país a construir uma nova estação espacial será a China. Yang Liwei, vice-presidente da agência espacial chinesa e primeiro astronauta chinês a visitar o espaço, declarou durante a Conferência Global de Exploração Espacial 2017, realizada neste mês em Pequim, que a nação vai iniciar a construção de sua primeira estação espacial tripulada a partir de 2019.

Como explicou Liwei, o primeiro passo do projeto será o lançamento de foguetes pesados Long March 5B. O veículo não-tripulado, capaz de transportar até 25 toneladas, vai colocar o módulo central da estação e demais componentes da estação em órbita.

Nas duas missões seguintes, programadas para 2020, a China vai enviar astronautas ao espaço a bordo da nave espacial Shenzhou para continuar a montagem a estação. Outras duas operações desse tipo também estão previstas para 2021 e 2022, ano em que o projeto deve ser concluído. Cada missão tripulada está programada para durar de três a seis meses, afirmou o diretor da agência espacial chinesa.

A estação espacial chinesa terá três partes: um módulo central ligado a dois laboratórios, cada um pesando cerca de 20 toneladas. Segundo Liwei, a estação chinesa ficará ativa por pelo menos 10 anos.

A China já colocou em órbita dois laboratórios espaciais, o Tiangong 1, já desativado, e Tiangong 2, lançado em setembro de 2016 e que ainda permanece ativo. A estação espacial vai se chamar Tiangong 3, que em mandarim significa “palácio celestial”. A agência espacial chinesa também afirmou que a futura estação poderá ser acessada por astronautas de outros países.

Em uma carta de celebração à conferência, o presidente da China, Xi Jinping, disse que a China está disposta a reforçar a cooperação com a comunidade internacional na exploração e desenvolvimentos pacíficos no espaço.

A China é o terceiro país a realizar de forma independente voos espaciais tripulados, seguindo da antiga União Soviética e os Estados Unidos. Desde 2003, o país lançou seis espaçonaves transportando 11 astronautas.

Yang Liwei foi o primeiro astronauta chinês a visitar o espaço, em 2003; atualmente é o vice-presidente da agência espacial da China (Xinhua)

Yang Liwei foi o primeiro astronauta chinês a visitar o espaço, em 2003; atualmente é o vice-presidente da agência espacial da China (Divulgação)

Além da construção da estação espacial, Liwei também confirmou que o país vai iniciar o recrutamento e treinamento de sua terceira geração de astronautas neste ano. Nesse novo processo o campo de atuação dos candidatos será expandido não apenas para pilotos da força aérea chinesa, mas também a engenheiros da indústria especial – os atuais 21 astronautas da China são pilotos da força aérea.

O novo grupo de astronautas chineses terá de 10 a 12 pessoas, incluindo duas mulheres, informou o vice-presidente da agência espacial chinesa.

Liwei também confirmou a continuidade dos planos da China sobre a exploração tripulada da Lua, acrescentando que ele nunca parou de treinar e ficaria emocionado por ter uma oportunidade de pousar na superfície lunar.

A agência espacial chinesa também anunciou que enviará uma sonda não-tripulada para a Lua em 2018 com quatro dispositivos científicos da Holanda, Alemanha, Suécia e Arábia Saudita. O veículo, chamado Chang’e, será o primeiro a aterrissar no lado escuro da Lua.

Fonte: Xinhua

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