Dmitry Zherdin

Com o novo motor, o Su-57 deverá atingir um envelope de voo bem mais amplo (Dmitry Zherdin)

A aguardada resposta russa aos caças stealth americanos está próxima de virar realidade. E agora tem até designação oficial: Sukhoi Su-57. Este é o nome definitivo que o protótipo PAK FA recebeu da fabricante após o programa de desenvolvimento atingir mais um marco, com a montagem do 9º protótipo do caça de 5ª geração.

Segundo a imprensa russa, o novo protótipo foi equipado com o novo motor Izdeliye-30 que substitui a versão anterior, Izdeliye-117, que se trata de uma atualização do AL-31, utilizado no caça Su-27 Flanker. Mais potente e eficiente, o propulsor permitirá que o novo caça possa manter um regime de super cruzeiro, ou seja, quando voa acima da velocidade de som de maneira constante.

Estima-se que ele conseguirá manter-se a Mach 1.6 (cerca de 2.000 km/h) por um longo período de voo – a velocidade máxima do Su-57 é estimada em Mach 2. Os testes com o novo motor devem ocorrer no final deste ano e também envolvem o uso de aviônicos de última geração e que estavam ausentes nos primeiros oito protótipos.

A meta da United Aircraft Corporation, empresa que reúne os principais fabricantes de aeronaves russas, entre eles a própria Sukhoi e a MiG, é entregar o primeiro lote de 12 caças Su-57 para a força aérea do país em 2019 – desde que os testes com o motor evoluam satisfatoriamente.

Longa gestação

O Su-57 é o sucessor de dois caças icônicos russos, ainda nascidos na época da União Soviética, o MiG-29 e o Su-27. Ambos foram uma resposta à nova geração de caças americanos como o F-14 Tomcat, da marinha, e o F-15 Eagle, da força aérea, e mostraram uma capacidade de manobra e um envelope de voo sem precedentes na época. Agora, o novo caça tem como meta superar o F-22 Raptor e o F-35 Lightning II ao menos no custo benefício já que é considerado bem mais em conta que seus pares dos EUA.

O caça russo tem um projeto que lembra bastante o F-22, mas também seu concorrente, o YF-23, com fuselagem de desenho furtivo (invisível aos radares) construída em grande parte em material composto, compartimento interno de armamentos e empenagem dupla. Mas, ao contrário dos jatos americanos, possui saídas vetoráveis com pós-combustor de formato cilíndrico.

O primeiro lote de 12 caças Su-57 deve ficar pronto em 2019 (Dmitry Zherdin)

Nascido como T-50, o caça russo voou pela primeira vez em 2010 após um período de incertezas em que a força aérea do país investiu em várias aeronaves como o MiG 1.44 e a Sukhoi criou o protótipo Su-47, com asas de enflechamento negativo.

Uma curiosidade a respeito do Su-57 envolve o Brasil. Em 2013, pouco antes que o programa FX 2 tivesse um desfecho, uma delegação de militares russos veio ao país para oferecer uma parceria no desenvolvimento do T-50, numa resposta ao fracasso em participar da disputa com o Su-35, uma versão atualizada do “Flanker”. Como se sabe, a FAB acabou elegendo o sueco Gripen em dezembro de 2013.

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