A Lufthansa é atualmente a única companhia que voa para o Brasil com o Boeing 747 (Thiago Vinholes)

A Lufthansa é atualmente a única companhia que voa para o Brasil com o Boeing 747 (Thiago Vinholes)

A tormenta que balançou o mercado de aviação no Brasil nos últimos dois anos está começando a ir embora e novas oportunidades, e mais passageiros, começam a surgir no horizonte. O setor de voos internacionais, que sofreu uma série de cortes nos piores momentos da crise econômica no país, voltou a se fortalecer nos primeiros meses deste ano, como vem observando a companhia aérea alemã Lufthansa.

Em sua primeira visita ao Brasil, Tamur Goudarzi Pour, o novo vice-presidente comercial do Grupo Lufthansa para as Américas, acredita que o mercado de voos internacionais no Brasil deve alcançar em breve números semelhantes aos de antes da crise. “No primeiro momento trabalhamos para estabilizar nossa operação com a demanda, que havia caído. Agora estamos observando um importante momento de crescimento”, contou Goudarzi, em entrevista coletiva à imprensa a bordo de um Boeing 747-8 da empresa no aeroporto de Guarulhos (SP).

Com a queda da demanda no mercado brasileiro em 2016, a Lufthansa cortou uma de suas rotas mais tradicionais no Brasil, que ligava São Paulo a Munique. Desde o final de outubro do ano passado, a empresa passou a voar para a capital paulistana somente a partir de Frankfurt -o outro voo da companhia no país liga Frankfurt ao Rio de Janeiro.

Perguntado sobre a possibilidade de retomar a rota São Paulo – Munique, o vice-presidente da Lufthansa se mostrou otimista. “A demanda de passageiros da Lufthansa no Brasil está crescendo de forma sustentável. Para retomar esse voo precisamos alcançar números de antes da crise. Os sinais indicam esse caminho, mas ainda não podemos confirmar o retorno da operação entre São Paulo e Munique”, explicou.

Jumbo solitário

A Lufthansa é atualmente a única companhia que voa para o Brasil com o Boeing 747, tanto para São Paulo como para o Rio de Janeiro, na versão mais recente 747-8. “O 747 continua sendo muito importante em nossas operações. Aqui no Brasil se encaixa perfeitamente às nossas necessidades, pois temos muita procura pela classe executiva, da qual dispomos de 80 assentos com esse avião. Também somos uma das raras empresas que ainda oferece primeira classe no Brasil”, contou Tom Maes, diretor de vendas da Lufthansa para a América do Sul.

A companhia alemã também opera o Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo. A empresa, contudo, descarta usar a aeronave em voos para o Brasil. “Para implementar o A380 no Brasil teria de haver um grande aumento na demanda de passageiros e também por assentos ‘premium’”, afirmou Tamur Goudarzi.

O Boeing 747-8 operado pela Lufthansa no Brasil pode transportar 386 passageiros, sendo 298 assentos na classe econômica e econômica “premium”, 80 na executiva e oito na primeira classe. Já o A380 operado pela empresa alemã pode embarcar 509 ocupantes, também em quatro classes – somente a econômica simples conta com 371 assentos.

A Lufthansa foi um das poucas companhias que compraram a versão de passageiros do 747-8 (Thiago Vinholes)

A Lufthansa foi um das poucas companhias que compraram a versão de passageiros do 747-8 (Thiago Vinholes)

Outra possibilidade descartada pela Lufthansa em voos para o Brasil é o uso do Airbus A350-900, aeronave incorporada recentemente pela companhia para substituir os veteranos quadrimotores A340. “Tecnicamente é possível, mas no momento não é uma aeronave interessante para as rotas no Brasil”, explicou o vice-presidente comercial.

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