Ninguém mais quer o Jumbo... A Boeing tem apenas 21 encomendas pelo 747 (Boeing)

Ninguém mais quer o Jumbo… A Boeing tem apenas 21 encomendas pelo 747 (Boeing)

A Boeing admitiu pela primeira vez que a produção do 747 pode estar perto do fim. A fabricante apresentou nesta semana seus resultados de mercado no primeiro quadrimestre de 2016 e o balanço não foi bom para o Jumbo, que neste ano somou apenas quatro pedidos.

“Se não obtermos pedidos suficientes, o fim da produção não pode ser descartado, podemos bater recorde de prejuízos que podem ser materiais, e é razoável a possibilidade de encerramos a produção do 747″, cita a apresentação da Boeing.

No atual momento, a Boeing tem encomendas para produzir 21 unidades do 747-8, sendo 11 aparelhos na versão Freighter, de carga. Há ainda outras 12 “intenções de compra” pelo Jumbo em andamento, a maioria por modelos cargueiros.

A mídia americana aponta que o programa de substituição do Air Force One, o avião presidencial dos EUA, pode ser a compra derradeira do 747. O Pentágono aprovou recentemente o desenvolvimento da aeronave, que será baseada no 747-8.

Sem encomendas adicionais, a linha de montagem do 747 vem operando em ritmo bastante reduzido. Atualmente, a fábrica da Boeing em Seattle monta uma aeronave a cada dois meses. Nem de longe lembra os melhores momentos do quadrijato: em 1990, a fabricante entregou 90 unidades.

Em contrapartida, mostrando a transformação do mercado de voos longos, os bimotores widebody Boeing 777 e 787 têm resultados de encomendas e entregas muitos superiores ao do 747. Somente neste ano, a fabricante entregou 51 jatos 777 e outros 68 modelos da família 787. Ao mesmo tempo, o 747-8 somou apenas três entregas.

A Korean Airlines possui alguns dos 747-8 mais recentes, em versões de carga e passageiros (Boeing)

A Korean Airlines possui alguns dos 747-8 mais recentes, em versões de carga e passageiros (Boeing)

Mercado em transformação

Até os anos 1980, somente as aeronaves com quatro motores eram capazes de realizar longos voos entre continentes transportando grandes quantidades de passageiros. Era um tempo em que o 747 reinava absoluto: o 747-400, “best-seller” do modelo, somou quase 700 entregas entre 1989 e 2007 – a frota de 747-8, em operação desde 2012, passou recentemente das 100 unidades.

Contudo, o mercado e os aviões mudaram: o que antes era possível somente com o Jumbo, também passou a ser realizado por aeronaves bimotores, de menor consumo de combustível e capacidade de ocupação melhor adequada a demanda.

A futuro da aviação de longo curso caminha para os os modelos bimotores, como o 787 (Boeing)

A futuro da aviação de longo curso caminha para os os modelos bimotores, como o 787 (Boeing)

Atualmente, os únicos aviões comerciais ainda em produção equipados com quatro motores a jato são o Boeing 747, Airbus A380 e o Ilyushin Il-96, fabricado na Rússia. O A340, outro célebre quadrirreator da aviação comercial, foi descontinuado em 2011.

Airbus A380neo também é descartado

Quando a Airbus iniciou o desenvolvimento do gigante A380, ainda na década de 1990, a fabricante acreditava que poderia acumular mais de 1.000 pedidos pelo modelo até 2020. Em operação desde 2007, a frota atual conta com apenas 193 aeronaves.

A fabricante europeia, diferentemente da Boeing, ainda mantém um bom ritmo de produção do aparelho, com 126 unidades na fila de espera da fábrica em Toulouse, na França. Porém, neste ano a Airbus ainda não recebeu nenhum pedido pelo A380.

O Airbus ainda tem mais de 120 pedidos pelo A380, mas seu futuro não é promissor (Airbus)

O Airbus ainda tem mais de 120 pedidos pelo A380, mas seu futuro não é promissor (Airbus)

Diante deste cenário, a criação de uma nova geração do A380 pode não valer o investimento. Em 2015, a fabricante anunciou planos para desenvolver uma nova versão da aeronave. Entretanto, nenhuma companhia aérea demonstrou interesse pelo projeto.

Em entrevista ao site ATW, James Hogan, presidente da Etihad Airways, um dos operadores do A380, declarou que o futuro da aviação de longo curso são as aeronaves widebody bimotores, como os novos Airbus A350 e o Boeing 777X, ainda em desenvolvimento.

Nem a Emirates Airlines, maior operador do A380 com uma frota de 80 aeronaves (e ainda deve receber mais 40), se interessou pela proposta da versão renovada do atual maior avião de passageiros do mundo.

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