Antonoaldo Alves, presidente da Azul: “Campinas não é São Paulo” (Embraer)

Presidente da companhia aérea Azul, Antonoaldo Neves assumiu uma tarefa indigesta: convencer os governos brasileiro e argentino de que Campinas não é São Paulo. Tudo para permitir que a empresa lance um voo entre Viracopos e Buenos Aires. O executivo esclareceu vários pontos a respeito da empresa em entrevista à imprensa argentina por ocasião do início do voo entre Confins e Buenos Aires, nesta segunda-feira (06).

Segundo ele, “quem vive em São Paulo sabe que Campinas não é São Paulo” e que por isso está tentando convencer os órgãos responsáveis a não considerar a cidade do interior parte da TMA São Paulo, zona aérea que engloba os aeroportos da região. É por essa razão que Viracopos acaba não podendo ganhar novos voos por conta do Acordo de Fortaleza, que rege novas ligações entre cidades de alguns países da América do Sul.

Ou seja, por esse critério Campinas (São Paulo) não pode ter mais frequências para Buenos Aires. A Azul somente conseguiu voar a partir de Confins porque a Aerolineas Argentinas deixou de operar no aeroporto mineiro. “Menos de 4% de nossos clientes vêm de São Paulo”, completou Antonoaldo. O CEO da Azul, inclusive, sugeriu que a Aerolineas também voe para Campinas por ser um mercado “muito promissor”.

A350 é muito grande

O presidente da Azul também comentou a desistência de operar o Airbus A350, moderno jato de longo alcance e que foi decidida pouco antes de receber a primeira aeronave: “É um avião muito grande para a situação que temos hoje na economia brasileira”, disse aos jornalistas do país vizinho. Apesar o jato ter deixado de ser citado no planejamento de longo prazo da empresa, Antonoaldo disse que “estão pensando em repassar para outra companhia aérea do grupo”, no caso ele cita a HNA, gigante chinesa que adquiriu parte das ações da Azul. Consultada pelo Airway, a assessoria não havia respondido até então sobre o destino do Airbus.

A Airbus chegou a pintar partes de um A350 com as cores da Azul (Clément Alloing)

A Airbus chegou a pintar partes de um A350 com as cores da Azul (Clément Alloing)

Na entrevista, Neves antecipa o que a companhia anunciou três dias depois a respeito da mudança na legislação da franquia de bagagem: “o que sabemos é que quem viaja sem bagagem pagará menos”. De fato, a Azul passará a ter uma tarifa menor para quem não despachar bagagens. Caso ele mude de ideia, o acréscimo será de R$ 30. Veja abaixo a entrevista em espanhol: