O jato de treinamento MiG-25U passava dos 3.000 km/h, mas como era feio... (Domínio Público)

O jato de treinamento MiG-25U passava dos 3.000 km/h, mas como era feio… (Domínio Público)

Qualquer projeto de aeronave exige um requerimento preciso para que o desempenho seja otimizado para sua função primária – ou mesmo quando ele possui algumas outras. Mas nem sempre é possível adaptar um avião para uma missão muito diferente da original sem que isso não provoque uma mudança profunda. Na aviação militar, isso resulta em alguns dos aviões mais horrendos já desenvolvidos, sobretudo quando essa nova função significa acrescentar um lugar extra no cockpit.

Não é fácil mesmo criar essas versões. A falta de espaço e as limitações de desempenho podem invalidar uma versão assim, afinal se você quer um jato de treinamento ele precisa fazer algo parecido com o modelo de um assento. Caro e complexo, o caça stealth F-22 Raptor não possui versão de dois lugares: seus futuros pilotos passam horas e mais horas em simuladores antes de assumir a versão real.

Seja para treinamento ou outro tipo de missão como ataque ao solo, alguns aviões clássicos possuem versões “biplaces” (termo usado na aviação) bastante exóticas. Airway separou a seguir alguns casos e explica qual solução foi adotada por cada fabricante.

A-10 Thunderbolt: nascido como uma espécie de tanque de guerra voador, o jato preservou boa parte dessas qualidades na versão de dois lugares A-10B. Adaptada de um A-10 original, ela serviria como alternativa para ataque noturno e para isso teve parte do tanque de combustível removida. Acabou aposentado.

O avião de ataque A-10 Thunderbolt é conhecido pelo visual horrendo. A versão de dois lugares consegue ser pior

O avião de ataque A-10 Thunderbolt é conhecido pelo visual horrendo. A versão de dois lugares consegue ser pior

MiG-29UB: versão de treinamento do conhecido caça russo MiG-29. Para levar o segundo ocupante na parte da frente, o radar foi retirado. O instrutor ocupa o lugar posterior e faz uso de um periscópio retrátil para poder enxergar para frente.

A MiG usou ideia parecida no caça MiG-29: abriu espaço na frente para levar mais um, porém, o piloto de trás precisa de um periscópio para enxergar

A MiG usou ideia parecida no caça MiG-29: abriu espaço na frente para levar mais um, porém, o piloto de trás precisa de um periscópio para enxergar

MiG-25: O gigante caça russo Mi-G-25 da década de 60 também ganhou uma versão de treinamento. A solução é parecida com a do MiG-29, porém, graças ao imenso alojamento do radar, foi possível instalar uma cabine separada da original, o que facilitou a visão do instrutor.

Caça mais veloz do mundo por anos, o russo MiG-25 deixou o radar no hangar para poder levar um segundo piloto na versão de treinamento

Caça mais veloz do mundo por anos, o russo MiG-25 deixou o radar no hangar para poder levar um segundo piloto na versão de treinamento

Hawker Hunter: caça britânico sucessor do Gloster Meteor, o Hunter ganhou uma versão de dois lugares para treinamento, a “t.mk”, mas, em vez dos assentos em tandem (um atrás do outro), a Hawker preferiu alargar a parte frontal da jato para que os dois assentos ficassem lado-a-lado.

Antigo caça, o inglês Hawker Hunter ganhou uma versão de dois lugares com assentos lado-a-lado: haja aperto!

Antigo caça, o inglês Hawker Hunter ganhou uma versão de dois lugares com assentos lado-a-lado: haja aperto!

Saab Gripen: futuro caça da Força Aérea Brasileira, o Gripen tem uma versão de treinamento, originalmente chamada de “D”. A solução encontrada pela Saab para abrir espaço para um piloto extra foi alongar o avião em 70 centímetros. Com isso, o “aluno” está posicionado mais à frente do que na versão de um lugar. A nova versão biplace do caça sueco, da série “NG”, será desenvolvida no Brasil.

O futuro caça brasileiro é uma das exceções à regra: versão de 2 lugares é bem resolvida e faz quase o mesmo que o monoposto

O futuro caça brasileiro é uma das exceções à regra: versão de 2 lugares é bem resolvida e faz quase o mesmo que o monoposto

Lockheed-Martin U-2/TR-1: famoso avião da época da Guerra Fria, o U-2 sempre foi um aparelho complexo. Lento e com asas imensas, ele utilizava dois pares de rodas extras na decolagem, logo descartadas. No pouso, precisava de um automóvel veloz para acompanhá-lo e orientar o piloto, que mal enxergava do lado de fora. Imaginem que ele teve uma versão de dois lugares. Para isso, foi instalada uma segunda cabine num nível mais alto e logo atrás da “cabine normal”.

O avião-espião U-2 não teve outra solução para levar um segundo ocupante: cabines em "escadinha"

O avião-espião U-2 não teve outra solução para levar um segundo ocupante: cabines em “escadinha”

BAe Harrier/AV-8: O caça inglês de decolagem vertical/curta tem um design exótico que foi além na versão de dois lugares. A solução para um avião tão pequeno? Somente ampliando a fuselagem para acomodar o segundo posto.

O britânico Harrier não é um primor de design, mas a versão de dois lugares consegue piorar isso

O britânico Harrier não é um primor de design, mas a versão de dois lugares consegue piorar isso

Sukhoi Su-34: Se a versão de treinamento do ‘Flanker’, o mais importante caça russo, é bem resolvida, seu primo Su-34 é uma mostra de como uma revisão de projeto pode ir muito além do que se imagina. Concebido para ataque, o Su-34 utiliza boa parte do projeto original do Su-27, mas ganhou uma nova seção dianteira capaz de levar dois tripulantes lado-a-lado. O visual de ‘bico de pato’, no entanto, está distante do estilo elegante do caça monoposto.

Versão de ataque, o Su-34 ganhou bico de pato no lugar da parte frontal elegante do Su-27

Versão de ataque, o Su-34 ganhou bico de pato no lugar da parte frontal elegante do Su-27

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