Muitos aviões concebidos para o uso comercial acabaram pegando em armas ao longo de suas carreiras

Muitos aviões concebidos para o uso comercial acabaram pegando em armas ao longo de suas carreiras

Desde que o avião foi inventado, militares sempre buscaram uma forma de usá-los como instrumentos de combate. Até o frágil e primitivo Bleriót XI, da década de 1910, foi transformado em arma de guerra, inaugurando o “meio aéreo” no mundo militar e demonstrando sua importância nos campos de batalhas.

Exceto pelos caças e bombardeiros, aviões de combate “puro-sangue”, a maior parte do inventário de aeronaves militares é baseada em modelos civis, alguns muito populares na aviação geral ou no transporte regular de passageiros. A grande diferença é que esses aparelhos viajam, ou viajaram como em casos do passado, levanto armamento pesado, cargas militares ou equipados com avançados sistemas de vigilância.

Conheça a seguir algumas das principais aeronaves civis que também servem ao uso militar:

Lockheed L-188 Electra II/ P-3 Orion

O avião “inquebrável” que marcou época na ponte-aérea Rio-São Paulo, o saudoso Electra II não opera mais na aviação comercial, mas ainda é um bravo combatente. Na versão P-3 Orion, a aeronave com quatro motores turbo-hélices é adaptada para a guerra naval, equipado com sensores de busca avançada, como a antena de detecção magnética na cauda, e armas “inteligentes”, como bombas, mísseis anti-navio e torpedos especiais para atacar submarinos.

Electra: símbolo do auge da ponte aérea Rio-São Paulo

Electra: símbolo do auge da ponte aérea Rio-São Paulo

O Orion foi desenvolvido simultaneamente a versão comercial, o Electra II. O modelo civil entrou em operação em 1959, e o P-3 em 1962, com a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), onde opera até os dias atuais. A Força Aérea Brasileira (FAB) também é um dos operadores do P-3 Orion, com uma frota de 12 aeronaves.

O P-3 Orion pode carregar armamentos em suportes nas asas ou no porão central (FAB)

O P-3 Orion pode carregar armamentos em suportes nas asas ou no porão central (FAB)

O Electra II ainda assumiu outras formas militares, como as versões EP-3, de guerra eletrônica, e a P-3AEW&C, que levava um grande radar rotativo na parte superior da fuselagem.

Bell 206 Jet Ranger/ OH-58 Kiowa

A Bell Helicopters já produziu mais de 7.300 JetRanger (Bell)

A Bell Helicopters já produziu mais de 7.300 JetRanger (Bell)

Se você olhar para o céu e enxergar um helicóptero há uma boa chance dele ser um Bell 206, o popular JetRanger. Produzido desde o 1967, o modelo para até quatro passageiros é um dos mais consagrados nos mercados de transporte executivo e táxi-aéreo no mundo todo, com mais de 7.300 unidades produzidas. E a Bell também criou uma versão com “garras”.

O OH-58 Kiowa é a versão militar do JetRanger, transformado em helicóptero de escolta e “caçador” de tanques. Além dos suportes para armamentos, que compreendem metralhadoras, casulos de foguetes e mísseis Hellfire, outro item diferente no Kiowa é um peculiar “globo” montado acima dos rotores, onde ficam os sensores de busca e ataque da aeronave, como câmeras de visão infra-vermelho e sistema de mira laser.

O Kiowa já entrou em combate no Vietnã e Iraque (US Army)

O Kiowa já entrou em combate no Vietnã e Iraque (US Army)

O Kiowa estreou com o Exército dos EUA em 1969 e foi utilizado em combate em diversas oportunidades, como nas guerras do Vietnã e do Golfo, e intervenções no Afeganistão. O OH-58 foi retirado do serviço militar nos EUA em 2015, mas o modelo ainda segue ativo em diversas forças armadas, como as do Canadá, Turquia e Iraque.

Douglas DC-3/C-47 Skytrain

Antigo DC-3 com as cores da Varig restaurado em Porto Alegre (Divulgação)

Antigo DC-3 com as cores da Varig restaurado em Porto Alegre (Divulgação)

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o então general Dwight Eisenhower relatou que a vitória dos Aliados sobre as nações do Eixo só foi possível graças aos adventos da bomba atômica, o jeep, a bazuca e o DC-3.

A icônica aeronave desenvolvida pela Douglas Aircraft no início da década de 1930 é considerado o primeiro avião comercial moderno, introduzido em 1936. Seu propósito inicial, porém, logo teve de ser alterado e o modelo, renomeado como C-47 Skytrain, foi produzido em escala frenética e enviado para todas as frentes de combate na Segunda Guerra Mundial.

Na guerra, o C-47 atuou principalmente no transporte de material militar, mas também teve importância fundamental no lançamento de soldados paraquedistas, inclusive durante a invasão da Normandia, no “Dia D”. Terminado o conflito, milhares desses aviões foram convertidos para o uso comercial, ajudando de forma significativa na expansão da aviação comercial no mundo todo, inclusive no Brasil, onde voou com as cores da Varig e Vasp, entre outras.

O AC-47 Spooky provou a eficiência das canhoneiras voadoras na Guerra do Vietnã (Domínio Público)

O AC-47 Spooky provou a eficiência das canhoneiras voadoras na Guerra do Vietnã (Domínio Público)

Outra versão militar do DC-3 é o AC-47 Spooky, uma canhoneira voadora. Os EUA usou esse avião durante a guerra do Vietnã, até substituí-lo pelo AC-130 Spectre. Apesar da longa idade, o AC-47 ainda voa com a força aérea da Colômbia, onde é conhecido como Fantasma.

Cessna 208 Caravan/Combat Caravan

O Cessna Grand Caravan traz um compartimento de carga na parte inferior da fuselagem (Cessna)

O Cessna Grand Caravan traz um compartimento de carga na parte inferior da fuselagem (Cessna)

Muito utilizado no Brasil por escolas de paraquedismo, o Cessna 208 Caravan é o que se chama de avião utilitário. Com trem de pouso robusto, asa alta e motor turbo-hélice com mais de 1.000 cavalos de potência, o Caravan é uma aeronave capaz de realizar verdadeiras proezas, como pousar em pistas improvisadas e operar com baixa necessidade de manutenção. É como um jipe com asas.

Essas características do Caravan, obviamente, atraíram os olhos de forças armadas. A principal função militar do avião da Cessna são missões de transporte. A FAB é um dos operadores desse modelo, utilizado especialmente na região amazônica. Mas a fabricante também produz uma versão armada do pacífico Caravan.

O Combat Caravan pode lançar o míssil anti-tanque Hellfire (Divulgação)

O Combat Caravan pode lançar o míssil anti-tanque Hellfire (Divulgação)

O Combat Caravan, desenvolvido pela Cessna em parceria com a empresa de defesa ATK, dos EUA, é uma espécie de avião de ataque ao solo de baixo custo. O modelo adaptado pode ser armado com casulos de foguetes e os poderosos mísseis anti-tanque Hellfire. O Iraque é o único operador do aparelho, desde 2004, e a aeronave já foi utilizada em combate contra insurgentes. Líbano, Mauritânia e Mali são outros países interessados em comprar o Caravan de ataque.

Embraer ERJ-145/E-99

Os jatos da série ERJ foram fundamentais para a expansão da Embraer (Divulgação)

Os jatos da série ERJ foram fundamentais para a expansão da Embraer (Divulgação)

Jato que reergueu a Embraer nos anos 1990 e alçou a fabricante entre as maiores do mundo, o modelo comercial ERJ-145 foi o avião certo no momento certo. Era o “boom” da aviação regional e a aeronave brasileira apresentou uma das soluções melhores adequadas a situação, com capacidade para 50 passageiros e baixo custo operacional.

O ERJ (Embraer Regional Jets) foi o primeiro avião comercial da Embraer impulsionado por motores a jato. Até então, a experiência da fabricante nessa área era restrita ao campo dos turbo-hélices, como foi o caso do Bandeirante e o Brasília. O primeiro voo comercial do aparelho foi realizado em 1997, com a companhia ExpressJet, dos EUA.

O "avião-radar" E-99 pode localizar aeronaves a cerca de 400 km de distância (FAB)

O “avião-radar” E-99 pode localizar aeronaves a cerca de 400 km de distância (FAB)

Atendendo um pedido da FAB, em reforço ao Projeto SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), a Embraer desenvolveu uma versão militar do ERJ, o EMB-145 AEW&C (sigla em inglês para “Alerta Aéreo Antecipado e Controle”). A FAB possui cinco desses “aviões-radares”, com uma peculiar antena na parte superior da fuselagem.

O radar de vigilância do “E-99“, como foi designado pela FAB, pode varrer uma área de 350 km ao redor da aeronave e monitorar até 300 objetos ao mesmo tempo. Além do Brasil, o EMB-145 AEW&C também foi adquirido pelas forças armadas da Grécia, México e Índia.

A FAB também possui três R-99, avião de Serviço de Inteligência Eletrônica - ELINT (FAB)

A FAB também possui três R-99, avião de Serviço de Inteligência Eletrônica – ELINT (FAB)

Outra versão militar do ERJ-145 é o EMB 145 MULTI INTEL (R-99), cujas antenas, desta vez posicionadas nas laterais e no dorso do avião, podem interceptar sinais eletrônicos e realizar varreduras terrestres com um radar de abertura sintética – cria uma imagem sobre o terreno por onde o avião passa.

De Havilland Comet/Nimrod

O Comet foi o primeiro avião comercial com motores a jato; voava a 840 km/h (Domínio Público)

O Comet foi o primeiro avião comercial com motores a jato; voava a 840 km/h (Domínio Público)

Primeiro avião comercial com motores a jato, o britânico de Havilland Comet, introduzido em 1952, claramente não poderia deixar de ter o potencial de sua alta velocidade no meio militar. Capaz de voar duas vezes mais rápido que as aeronaves com motores a hélice na década de 1950, o modelo inaugurou uma nova era na aviação, apesar de ter registrado graves acidentes logo no início de sua carreira.

A versão militar do Comet foi o Nimrod, desenvolvido pela Hawker Siddeley a pedido da Força Aérea Real Britânica (RAF). A aeronave operou entre 1969 e 2011, em missões de patrulha marítima, guerra anti-submarino e aeronave de reabastecimento aéreo – o Nimrod também podia ser abastecido em voo. Já os armamentos ficavam armazenadas em um porão na “barriga” do quadrijato.

O Nimrod continuou na ativa muitos anos após a aposentaria do Comet na aviação comercial (RAF)

O Nimrod continuou na ativa durante muitos anos após a aposentaria do Comet na aviação comercial (RAF)

O Comet militar nunca entrou em combate, mas ficou de prontidão durante a Guerra das Malvinas, em 1982, contra a Argentina, à espera de um improvável ataque naval argentino na Ilha Ascenção. Nesse conflito, os Nimrod curiosamente foram armados com mísseis ar-ar Sidewinder, instalados em cabides adaptados nas asas.

Boeing 707/E-3 Sentry

A Pan Am foi a companhia que estreou o Boeing 707 em rotas comerciais (Domínio Público)

A Pan Am foi a companhia que estreou o Boeing 707 em rotas comerciais (Domínio Público)

Até o final da década de 1950, a Boeing era conhecida mais pelas aeronaves militares que seus aviões civis. Isso mudou completamente com a chegada do jato comercial 707, o primeiro avião que podia cruzar continentes em alta velocidade levando mais de 200 passageiros. Essas características atraíram companhias aéreas do mundo todo, e o modelo dominou o setor entre os anos 1960 e 1970, com 1.010 unidades produzidas. No Brasil, voou com as cores da Varig e, mais tarde, com várias companhias como cargueiro.

Aproveitando o porte da aeronave, o longo alcance e grande capacidade de carga, forças armadas encontraram diversos propósitos para aplicar o então “gigante” da Boeing no meio militar. A versão militar mais curiosoa baseada no 707 é o E-3 Sentry, com seu peculiar radar rotativo na parte superior da fuselagem. Tal como os E-99 da FAB, o E-3 é uma avião de alerta antecipado e controle aéreo, capaz de encontrar outras aeronaves a 450 km de distância.

O radar do E-3 Sentry pode encontrar aeronaves inimigas a 450 km de distância (USAF)

O radar do E-3 Sentry pode encontrar aeronaves inimigas a 450 km de distância (USAF)

O E-3 Sentry entrou em operação nos EUA em 1977, já no final da trajetória do 707 comercial, descontinuado em 1979. O modelo militar, porém, seguiu na linha de montagem até 1992 e a maior parte dos 68 exemplares contruídos continuam voando. Além da força aérea dos EUA, o E-3 também é operado pelas forças armadas da Arábia Saudita, França e Reino Unido – outros cinco aparelhos, registrados em Luxemburgo, voam sob comando da OTAN.

O EC-135 e seu peculiar nariz: a peça esconde um radar de longo alcance (USAF)

O EC-135 e seu peculiar nariz: a peça esconde um radar de longo alcance (USAF)

O 707 ainda assumiu outras formas militares, como o KC-135 Stratotanker, de reabastecimento aéreo, os “narigudos” RC-135 e EC-135, de vigilância e interceptação de comunicações. Entre 1959 e 1998, o jato da Boeing serviu como Air Force One, o avião presidencial dos EUA.

ATR 72/ATR 72ASW

No Brasil, os ATR voam com as companhia Azul e MAP, de Manaus (Azul)

No Brasil, os ATR voam com as companhia Azul e MAP, de Manaus (Azul)

Popular nos céus do Brasil nas cores da companhia Azul, o turbo-hélice ATR 72 é outro avião tradicional no ramo comercial que também veste farda militar. O ATR 72ASW é uma aeronave de patrulha marítima de longo alcance e “caçador” de submarinos e navios, com capacidade para lançar mísseis e torpedos. Outro detalhe nessa versão do ATR é o “detector de anomalias magnéticas” (MAD), na forma de uma longa antena da cauda.

O ATR 72ASW pode permanecer voando por até 11 horas, em missões de patrulha (ATR)

O ATR 72ASW pode permanecer voando por até 11 horas, em missões de patrulha (ATR)

O ATR 72ASW é operado pela força aérea da Turquia desde 2012, tanto na versão ASW como na opção de transporte de carga e tropa. ATR 72 militar também possui uma porta especial para o lançamento de soldados paraquedistas. Segundo a ATR, o modelo de patrulha naval pode permanecer voando por até 11 horas. A Itália é outro país interessado nessa aeronave, baseado na versão mais recente, o ATR 72 600.

Boeing 737/P-8 Poseidon

A Gol é um dos maiores clientes do Boeing 737 (Thiago Vinholes)

A Gol é um dos maiores operadores do Boeing 737 e o maior na América do Sul (Thiago Vinholes)

O Boeing 737, operado no Brasil pela companhia Gol, entrou no ramo militar recentemente, com o “codinome” P-8 Poseidon. Proposto para substituir o P-3 Orion nos EUA, o 737 fardado também é um avião de patrulha marítima, mas com capacidades ainda mais elevadas. O modelo está em serviço com a força aérea dos EUA desde 2013. Austrália, Índia e Reino Unido são outros países que já encomendaram o 737 de combate.

O Poseidon também possui um detector de anomalias magnéticas, mas desta vez retrátil – a antena se estende pela cauda da aeronave. Os armamentos, como mísseis anti-navio e torpedos de busca submarina, ficam armazenados em um porão no dorno da fuselagem e nas asas.

P-8 da Marinha dos EUA lançando um torpedo de busca submarina (US Navy)

P-8 da Marinha dos EUA lançando um torpedo de busca submarina (US Navy)

O P-8 é baseado no 737-800 Next Generation, a série atual. O 737 militar também figura entre os aviões mais caros do mundo: cada um custa cerca de US$ 256 milhões. Até o fim de 2015, a Boeing já entregado 21 jatos P-8 Poseidon e soma pedidos para mais de 120 aparelhos.

Air Tractor AT-802/AT-802U

O AT-802 em sua função original, dispersando agentes pesticidas em plantações (Air Tractor)

O AT-802 em sua função original, dispersando agentes pesticidas em plantações (Air Tractor)

Até mesmo um avião agrícola pode ter uma versão armada. O Air Tractor AT-802, fabricado no Texas, é uma típica aeronave de uso na agricultura: tem grandes asas, uma cabine com ótima visibilidade e boa capacidade de carga. Além disso, esses aviões são altamente manobráveis e podem voar a baixa velocidade com segurança, características que também podem ser aproveitadas no meio militar.

Emirados Árabes Unides, Iemên e Jordândia são os três países que operam o AT-802U, uma versão do pacato avião agrícola adaptada para o combate. Segundo o fabricante, essa versão conta com camadas especiais de blindagem na fuselagem, leva sensores de busca e pode ser armada com casulos de foguete, metralhadoras e até bombas guiadas a laser. A força aérea iemenita já utilizou seus modelos em combate, em 2015, contra forças rebeldes.

Um AT-802U do Iêmen, armado com bombas guiadas a laser (Ain)

Um AT-802U do Iêmen, armado com bombas guiadas a laser (AinOnline)

O avião da Air Tractor, que por sinal é concorrente do Embraer Ipanema, também é muito aplicado no combate a incêndios. Os reservatórios da aeronave, concebidos originalmente para dispersar elementos pesticidas em plantações, também podem transportar água ou agentes anti-chama. Os bombeiros dos estados do Mato Grosso e Distrito Federal têm o AT-802 em suas frotas.

C-130 Hercules/L-100

C-130 Hercules com o esquema de camuflagem da Força Aérea Brasileira (FAB)

C-130 Hercules com o esquema de camuflagem da Força Aérea Brasileira (FAB)

Embora menos frequente, aviões militares também podem acabar na área comercial. Um caso célebre é o do cargueiro Lockheed Martin C-130 Hercules, cujas capacidades também são aproveitadas no campo civil. Chamado L-100, a versão civil do icônico cargueiro cumpre basicamente a mesma função de seu irmão militar: levar pesadas cargas para locais de difícil acesso. A Delta foi a companhia aérea mais famosa que voou com o Hercules.

O L-100 foi produzido entre 1964 e 1992. Devido a suas características mais simples, o Hercules civil é mais barato de operar, comparado ao modelo militar. As capacidades, porém, são inferiores, pois os motores do Hercules comercial não são tão potentes como os do C-130.

A divisão de carga da Delta Airlines já voou com o L-130 (Domínio Público)

A divisão de carga da Delta Airlines já voou com o L-130 (Divulgação)

Recentemente, a Lockheed Martin anunciou o retorno do Hercules civil, baseado na versão mais recente C-130J Super Hercules. O novo modelo, nomeado LM-100J, entrará em serviço a partir de 2018.

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