Emergência de mentirinha: a academia da Latam realiza diversos treinamentos de segurança (Airway)

Emergência de mentirinha: a academia da Latam realiza diversos treinamentos de segurança (Airway)

O trabalho de uma companhia aérea não se resume apenas ao que acontece nos aeroportos e durante os voos. O grupo Latam Airlines, por exemplo, tem um imenso e complexo trabalho para cuidar de sua frota de aeronaves, tarefa realizada em seu próprio centro de manutenção em São Carlos (SP), e mais ainda de seus funcionários. E eles não são poucos…

Para capacitar seus quase 5.000 profissionais, a companhia ainda nos tempos da TAM criou sua própria “escola” para treinamentos de pilotos, agentes de aeroportos e, principalmente, comissários de bordo, a “Academia de Serviços Comandante Rolim A. Amaro”, nome em homenagem ao fundador da companhia.

A convite da Latam, o Airway pôde acompanhar um dia de atividades no que é o maior centro de treinamento de comissários de bordo do hemisfério sul, fundado em 2001. Quem passa em frente, pela grande movimentação de pessoas, pode pensar que se trata da saída de uma faculdade e nem imagina os segredos que aquele prédio vermelho, localizado próximo ao aeroporto de Congonhas, pode esconder.

Dia de treinamento

Ao entrar no prédio, uma surpresa: a academia da Latam parece um clube de aviação. O local possui piscina, áreas arborizadas, salas de aula e até um avião! Mas ninguém vai ali a lazer. Toda essa estrutura é utilizada para simular o cotidiano de profissionais da aviação comercial, tanto para bons momentos como situações catastróficas.

“A academia recebe funcionário recém-incorporados pela companhia, para treinamentos específicos sobre as aeronaves nas quais vão trabalhar, e também colaboradores mais antigos, que precisam frequentar cursos de reciclagem periodicamente”, contou Luiz Brigone, instrutor da academia e também comissário de bordo de voos internacionais da Latam.

Muitos dos treinamentos realizados na academia são para situações que raramente acontecem na vida real. Na piscina, por exemplo, comissários aprendem como lidar com as balsas infláveis que os aviões carregam para situações de pousos de emergência na água, assim como lições de sobrevivência nessas circunstâncias.

A área arborizada é um “simulador” de floresta. Nesse espaço, a academia ministra cursos de sobrevivência na selva, representando novamente um pouso de emergência. Diversas peças de avião descartadas ficam espalhadas entre as árvores e são usadas, por exemplo, para construir ferramentas improvisadas, sinais de localização ou um acampamento de sobreviventes à espera do resgate.

A piscina da academia da Latam não é local para brincadeiras; o espaço é usado para treinar técnicas de sobrevivência (Airway)

A piscina da Latam não é local para brincadeiras; o espaço é usado para treinar técnicas de sobrevivência (Airway)

Fokker 100 serrado

O Fokker 100 deixou de voar com a Tam em 2007, mas a empresa possui uma unidade do avião holandês. Ou pelo menos metade dele… Para aumentar a sensação de realismo e ambientação nos treinamentos, a academia levou a aeronave cortada pela metade e sem as asas para o interior do prédio e o transformou em mocape de treinamento.

“Os comissários podem ficar horas no mocape. Nesse espaço realizamos simulações de voos reais, com serviço de bordo para os passageiros, ações de combate a chamas ou até uma evacuação de emergência”, conta Brigone. “Esse Fokker 100 voou cerca de 10 anos com a Tam e depois de aposentado foi preparado para essa função. É uma parte importante da academia, pois agiliza os treinamentos”, explica.

Além da cabine completa e funcional, com assentos e toaletes, esse Fokker 100 também possui duas escorregadeiras infláveis de emergência, uma de Airbus A320 e outra do A330. E a todo momento alguém desce do avião escorregando…

O Fokker 100 da Tam aposentado foi transformado em sala de aula para tripulantes (Airway)

O Fokker 100 da Tam aposentado foi transformado em sala de aula para tripulantes (Airway)

O espaço ainda conta conta outros componentes de cabines, como galleys (a “cozinha” do avião) em tamanho real do jato Airbus A320, e plataformas especiais onde os tripulantes aprendem a operar o sistema de abertura e fechamento das portas dos aviões.

Os tripulantes em treinamento ainda têm acesso a todos os equipamentos de combate ao fogo que ficam escondidos pela cabine do avião, como machados e máscaras especiais, e recebem até aulas de artes marciais, como krav maga, para lidar com os chamados “passageiros indisciplinados”.

A academia também treina agentes com os mesmo equipamentos usados nos aeroportos (Airway)

A academia também treina agentes com os mesmo equipamentos usados nos aeroportos (Airway)

Simulador de aeroporto

Outra parte da academia, responsável principalmente pela formação de agentes de aeroportos, são as salas com equipamentos iguais aos utilizados nos balcões de atendimento em aeroportos. “Aqui simulamos o atendimento a passageiros, despacho de bagagens e emissão de bilhetes com equipamentos reais, como a balança de malas e o computador com o sistema da companhia. Em algumas aulas, até formamos filas de ‘passageiros’ pela sala para testar a agilidade dos agentes”, conta Brigone.

“Seguindo as regras da ANAC e da aviação comercial internacional, profissionais aeronautas precisam periodicamente atualizar suas licenças em centros homologados para continuarem voando. Cursos de reciclagem também são realizados quando a companhia adota uma nova aeronave e precisa de uma tripulação especializada, como vem sendo o caso com o Airbus A350”, explica o instrutor da Latam.

Não é toda companhia aérea que possui seu próprio centro de treinamento de empregados. Esse tipo de estrutura é uma forma de adequar o padrão de atendimento dos tripulantes e acelera os processos de treinamento e certificação de licenças aeronáuticas, além de ser outra fonte de receita: a academia da Latam também oferece treinamentos para outras companhias.

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